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FESTIVAL

UM BIFF ACESSÍVEL E POTENTE

O Festival Internacional de Cinema de Brasília — BIFF 2026 — retorna porque Brasília pediu. E quando Brasília pede, a gente escuta. Escuta com o coração, com a urgência de quem acredita no encontro e com a consciência de que o cinema ainda é um dos últimos lugares onde o mundo pode, de fato, se reunir.

O BIFF nasceu em 2012 , e desde então vem construindo uma trajetória que não se acomoda. Ao contrário: se reinventa, se expande e insiste. Em 2020, quando o mundo silenciou suas salas e se recolheu em casa, nós não abrimos mão do encontro — apenas mudamos o endereço. Em um gesto pioneiro, migramos integralmente para o formato online e celebramos o aniversário de Brasília com o chamado que ecoou em tantas casas: “FIQUE EM CASA, FIQUE COM O BIFF”. Já em 2022, voltamos às ruas, às salas e aos encontros presenciais ocupando sete espaços em toda a grande Brasília:  ampliando territórios, públicos e experiências, com filmes vindos de todos os cantos do mundo.

Essa é a estrada que nos sustenta: sedimentada por equipes incansáveis, por filmes que atravessam fronteiras e por histórias que não terminam na tela — continuam nas conversas em casa, nas salas de aula, nos encontros improváveis que só o cinema é capaz de provocar.

Há algo profundamente necessário em um festival que fala todas as línguas, que cruza fronteiras sem pedir licença e que transforma o Cine Brasília em território comum — onde cabem todas as histórias, todos os sotaques e todos os olhares.

Em 2026, essa crença ganha ainda mais dimensão: recebemos mais de 800 inscrições vindas de todos os cantos do mundo — um número que nos emociona, nos desafia e nos confirma. E, com especial orgulho, celebramos um recorde de filmes brasileiros inscritos, reafirmando a potência do nosso cinema e o desejo de nossos realizadores de ocupar o mundo — e também a própria casa.

Convidamos o público a ocupar o Cine Brasília em sessões gratuitas e embarcar conosco nessa travessia de cinco dias por diferentes países, estéticas e narrativas. Uma jornada que atravessa mostras competitivas, homenagens e encontros que reafirmam o cinema como experiência coletiva — viva, urgente e transformadora. Porque assistir a um filme ainda é, e sempre será, um ato político, sensível e profundamente humano.

Fazer o BIFF nunca foi simples — e talvez nunca devesse ser. Exige uma engrenagem movida por muitas mãos, uma equipe que acredita mesmo quando o cenário não favorece, parceiros que caminham junto e uma boa dose de coragem. Na persistência encontramos o nosso maior orgulho: manter Brasília no circuito internacional de festivais e garantir que o cinema do mundo encontre o nosso público — e que o nosso público se reconheça no cinema do mundo.

Seguimos expandindo olhares.
As sessões do BIFF Junior chegam luminosas, com exibições únicas em dublagem ao vivo, em parceria com a ALLDUB, e debates conduzidos por curadores mirins — porque formar público também é aprender a escutar quem está descobrindo o cinema agora, com frescor e liberdade.

Celebramos o cinema brasileiro, que nos últimos anos nos fez vibrar como em final de Copa do Mundo. E não poderia haver cenário mais simbólico do que um BIFF em ano de Copa: a emoção coletiva, a torcida, o pertencimento. Aqui, a arquibancada é a sala de cinema — e os gols são as histórias que nos atravessam. Com sessões gratuitas, reafirmamos que o acesso à cultura não é privilégio: é direito.

Abrimos o festival sob a inspiração do pensamento de Frantz Fanon, evocando o cinema como ferramenta de reflexão, deslocamento e transformação. E celebramos a força criativa da brasiliense Cibele Amaral, cuja trajetória, iniciada com o premiado Momento Trágico, segue marcada por autoria, coragem e um olhar profundamente conectado com o seu tempo.

Nossa homenagem se estende à Gullane, que ajudou a projetar o cinema brasileiro para o mundo e construiu uma filmografia que já habita a nossa memória afetiva, com obras como O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias e Que Horas Ela Volta? — filmes que continuam pulsando a cada nova exibição.

E, ampliando os diálogos que nos movem, a parceria com a Mostra de Cinema Negro Adelia Sampaio convida o público a mergulhar em narrativas fundamentais, conduzidas por olhares que historicamente resistem, reinventam e expandem o cinema brasileiro.

O BIFF 2026 é, acima de tudo, um encontro. Entre quem faz e quem assiste. Entre o Brasil e o mundo. Entre o que somos e tudo aquilo que ainda podemos imaginar.

E, parafraseando a nossa Fernanda Torres: ‘’A vida presta’’

Nos vemos no cinema.

Anna Karina de Carvalho e equipe

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