NOTÍCIAS
Anna Karina vai sorrir em Brasília
21 de ABRIL de 2020
Documentário sobre a ''musa da Nouvelle Vague'' abre o Brasília International Film Festival nesta terça, 21/4, inteiramente online.

O É Tudo Verdade saiu na frente com uma prévia digital de sua edição 2020, mas o Brasília International Film Festival (BIFF) vai ser o primeiro a acontecer inteiramente online e gratuito nesse período de quarentena. "O que seria um empecilho - a pandemia da Covid-19 que obriga ao isolamento - transformou-se em motor de maior alcance do festival. Com acesso livre pela internet, espectadores de todo o Brasil poderão assistir aos filmes", informa o release do evento.
Começa nesta terça, dia 21 de abril, com um documentário sobre a atriz, cantora, escritora e letrista Anna Karina. No dia 23, dentro da mostra competitiva, teremos o particularíssimo Encantado – O Brasil em Desencanto.
Foi em homenagem à chamada musa da Nouvelle Vague que os pais da diretora do BIFF lhe deram o nome de Anna Karina de Carvalho. A atriz dinamrquesa, falecida em dezembro último, foi homenageada na primeira edição do festival, há sete anos, e agora é tema do filme de abertura (que ficará disponível online no dia 21, entre 19h e 23h59). O média metragem ANNA KARINA, PARA VOCÊ LEMBRAR foi dirigido e narrado pelo último companheiro da atriz, Dennis Berry, que foi casado também com Jean Seberg.
É um filme apaixonado, logicamente, mas que não demonstra ciúme ao tratar do casamento romântico que Anna manteve durante cinco anos e oito filmes com Jean-Luc Godard, nem do possível flerte da moça com Serge Gainsbourg durante as filmagens do musical Anna (1967), de Pierre Koralnic. Aliás, as cenas desse raríssimo acepipe é uma atração suplementar do documentário.
Berry faz a história de Anna Karina desfilar diante de seus olhos emocionados frente a uma tela de cinema do Quartier Latin. A infância de Hanne Karin Bayer (esse seu nome de batismo) numa Copenhague sob a ocupação nazista; a adolescência quase órfã; o gosto pelo cinema, a música e Judy Garland; a partida sozinha para Paris; a descoberta do rosto bonito e do olhar intenso por uma agente de modelos; o encontro com Godard depois de posar para anúncios de sabonete e a recusa em aparecer nua em Acossado... É uma pena que Anna não tenha escrito sua autobiografia além dos romances que publicou.
O filme faz cruzar a história de Anna com a II Guerra, a Guerra da Coreia, a Primavera de Praga e o maio de 1968, ainda que não distorça nada para fazê-la personagem direta dessas efemérides. Anna foi uma estrela realmente discreta e até humilde, apesar de ter brilhado em filmes de tantos diretores célebres, como Rivette (A Religiosa), Visconti (O Estrangeiro), Zurlini (Mulheres no Front), Cukor (Justine), Fassbinder (Roleta Chinesa) e Schlöndorff (O Tirano da Aldeia).
Entre as imagens preciosas reunidas por Berry estão cenas de bastidores de filmes de Godard, da encenação teatral francesa de Depois do Ensaio, de Bergman, e de uma de suas duas experiências na direção, Vivre Ensemble, de 1972. Prudentemente, o diretor-companheiro deixou de mencionar a outra, Victoria, de 2008, um fracasso rotundo.
O Brasília International Film Festival terá, além da mostra competitiva destinada a cineastas em princípio de carreira, uma seção de "Grandes Pré-estreias", outra em homenagem a Kirk Douglas, dois novos longas brasilienses e o BIFF Júnior para o público infantil e adolescente. Os recursos para o evento vieram principalmente do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal.

Por Carlos Alberto Mattos


ANTERIORES MAIS NOTÍCIAS
+